• Angélica Ribeiro

A relação entre arte e empreendedorismo

A CEO da TV ArteDesign, Denise Mucci, concede entrevista escrita ao blog Angélica Ribeiro, expressando suas visões a cerca do empreendedorismo criativo e da arte.

Denise possui um currículo admirável, tendo trabalhado no mercado da moda, na curadoria de eventos artísticos e, atualmente, tratando da arte de forma empreendedora em sua startup: a TV ArteDesign.




(Angélica Ribeiro) Olá Denise, você poderia se apresentar aos leitores do blog Angélica Ribeiro falando sobre sua carreira e suas relações com a arte?

(Denise Mucci) Há mais de 25 anos trabalho com a arte voltada ao empreendedorismo, preparei por meio de work shop vários artesãos/artistas focando sempre no design que hoje tem peças expostas mundo a fora, como Museu de Arte de Chicago, medalhas de ouro em feiras como Maison e Object em Paris e assim por diante. Foram mais de 15 anos levando artistas para fora do Brasil. Durante todo esse período foquei no design unido a arte, por isso, lancei a TV ARTEDESIGN, pois acredito piamente que um não se desvincula do outro.

Escrevi um livro chamado Transformação em Nossas Mãos, que mostra a evolução de cada artista que passou por mim, com os Works shop, com consultoria particular, palestras. Esse livro hoje está em praticamente todas as embaixadas brasileiras.

Viajei por 19 estados brasileiros, entrevistando artistas que vivem exclusivamente de sua arte, sendo muitos deles reconhecidos internacionalmente e pouco conhecidos no Brasil.

Fiz um estudo aprofundado, sobre a razão desse fato ocorrer em quase todos os estados brasileiros e percebi, que o que faltava, era uma forma de permitir que a arte chegasse a mais pessoas, sem distinção

(Angélica Ribeiro) O empreendedorismo criativo é evidente em seu histórico profissional, desde a Denise Mucci Accessori até a atual TV ArteDesign. Como você entende o empreendedorismo criativo e qual é a importância dele na sua vida?

(Denise Mucci) Desde que nascemos, estamos empreendendo em fases de nossa vida. Primeiro aprendemos a engatinhar, um grande salto para quem ficava só no colo, depois a andar, e isso transforma tudo, e daí para frente não paramos mais de empreender.

O que mais me encanta nesse trajetória da vida é ver que a cada fase que passamos, naturalmente, não nos damos conta que uma pequena ação, nos leva para uma nova etapa. E isso transforma tudo e nem nos damos conta de que, ao trocar de fase, a que passou foi a ferramenta necessária para que chegássemos à próxima etapa.

É assim que eu vejo a vida. O empreendedorismo é inato no ser humano, uns o desenvolve com mais maestria, enquanto outros acreditam que isso não é para ele. Só que se esquecem de tudo o que já fizeram na vida para chegar onde estão. E isso é empreender. Na arte não é diferente. Me lembro quando comecei, muitas pessoas falavam para eu mudar o foco, pois arte e empreendedorismo eram duas paralelas, o que sempre discordei, e hoje vejo que estava na trajetória certa. O artista que não empreende em sua arte, vai continuar no paradigma de que arte não dá dinheiro, de que arte é diletantismo, de que arte só os que tem sorte conseguem viver dela.

Mas não conhecem a trajetória desses sortudos.

Estude a vida de quem tem ¨sorte¨ e depois me fala onde e quando a sorte começou a sorrir para eles. Por isso montamos o CADB Curso da ArteDesign Brasileira, 25 artistas falando sobre suas trajetórias.

(Angélica Ribeiro) Em seu trabalho na TV ArteDesign, você fala de arte sob um viés empreendedor. Por qual motivo a necessidade de falar sobre isso surgiu?

(Denise Mucci) Como disse acima, o artista com sua boina, seu palheta, seus pincéis e sua tela debaixo do braço, já não tem mais espaço nesse mundo que muda por segundo. O artista que quer ter seu lugar ao sol tem que empreender em suas ações, e manter uma constância. Depois de mais de 490 entrevistas pessoalmente feitas por mim, com artistas renomados de quase todo o Brasil, percebi um viés comum entre eles. Independentemente de onde vivem, eles empreendem em sua arte, em sua história, o que é extremamente importante, o fazem intuitivamente, ou por conhecimento de causa.

Eu sempre gostei muito de arte, de ver quem se despontava e o porquê isso acontecia só com alguns, e foi nessa busca, que vi e entendi que existia uma linha condutora comum em todos eles.

Muitos não tem conhecimento disso, por esse motivo eu montei a TV ARTEDESIGN para passar esse conhecimento, para mostrar ao vivo e a cores, que sim, é possível viver da arte no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo, mas para isso, deve enxergar sua carreira artística como um profissional, como em qualquer outra profissão.

Foi pela necessidade em desvendar esse segredo do empreender, pois senti na grande maioria dos artistas, o desconhecimento sobre como empreender e mesmo sobre o empreendedorismo, quebrar o paradigma de que artista não pode ser empreendedor senão denigri sua arte, prostitui sua arte, que criei a TV ARTEDESIGN.

(Angélica Ribeiro) Quais os benefícios que a relação entre arte e empreendedorismo podem trazer para o artista, para a cultura e para o Brasil de modo geral?

(Denise Mucci) Como pode ver, esse é um assunto que é entrelaçado, uma pergunta vai se complementando a outra. A partir do momento que o artista entende a importância de empreender, conhece os caminhos que pode traçar, e aqui quero deixar claro um detalhe, cada um tem uma forma distinta de traçar a sua trajetória. Explico o porquê, as variantes são muitas, por isso copiar a fórmula de um não quer dizer que ela vai funcionar para você. O que sugiro, e falo isso constantemente, é que estude, não estudos aleatórios, sem conexão. Estude e faça comparações, faça estudos comparativos e entenda onde a linha se torna comum nas trajetórias de sucesso. Montei um curso exatamente sobre isso, onde 25 artistas foram entrevistados e contam suas trajetórias, nesse curso eu dou um livro que escrevi sobre mapa mental, onde dá para desenhar exatamente a união dos pontos e criar o seu próprio. Sem estudo, sem conhecer o que já fizeram, o caminho fica mais longo e mais árduo. Não precisa reinventar a roda, isso já está pronto, basta adapta-la ao tamanho e ao seu calibre.

(Angélica Ribeiro) Qual é, na sua opinião, a maior dificuldade para que arte e empreendedorismo sejam relacionados de forma prática e efetiva na cultura brasileira? Quais soluções você sugere para resolver isso?

(Denise Mucci)Eu acredito, em primeiro lugar e falo isso com muita convicção, que antes da TV ARTEDESIGN não se ouvia falar de arte e empreendedorismo. Isso era como uma ilusão, um não podia se conectar com outro. Houve muita resistência nessa união de conceito, até que foi sendo entendido por meio de ações práticas, por meio das palestras que faço, e pelas entrevistas que vão ao ar ao vivo no nosso canal do youtube.com/tvartedesignoficial, toda segunda feira, às 20h, com artistas brasileiros que são grandes empreendedores de sua arte. Esses artistas mostram de forma real como quebraram o paradigma que tanto trava o artista brasileiro.

O paradigma de que a arte não pode ser empreendedora, esse é o ponto focal que impede os artistas a traçarem trajetórias de sucesso. Muitos ainda estão a espera de um grande marchand batendo em sua porta e o descobrindo, ou indo as galerias de arte que trabalham com artistas renomados querendo que elas aceitem suas obras. E a cada não que recebem vão desestimulando.

Só que se esquecem que os que hoje são renomados, começaram da mesma forma que ele está começando, e o que falo e reintero, sem ter receio de ser repetitiva é, faça estudo comparativo, estude a vida de quem deu certo, conheça o que fizeram, porque podem ter certeza, onde há hoje reconhecimento, houve ontem muitos nãos a serem superados. Esse para mim, é o grande paradigma a ser quebrado. Mudando esse padrão muda tudo.

Os artistas que tratam suas obras como produtos depois de acabadas. Tudo que é criado e se torna material se transforma em produto, e com a arte não é diferente. Podemos perceber, que a cada dia mais, a arte vem sendo tratada como um dos nichos de mercado mais promissores. Grande investidores, estão olhando para a arte com um olhar empreendedor, o que nunca antes havia sido empenhado. Basta que o artista assim entenda, ele não é uma vítima do sistema e sim um profissional de sua arte, um grande empreendedor de sua arte, e que principalmente, o artista deve entender que isso não denigre o seu lado artístico, muito ao contrário, mostra que a trata de forma respeitosa.

Sugiro então que estude, que vislumbre oportunidades onde outros não veem, busque não pelo topo da pirâmide, ou pela ponta do Ice Berg, busque pela base, que foi por onde todos começaram.

Trace o seu próprio caminho, escute as histórias de quem conseguiu, participe de entrevistas on line como a TV ARTEDESIGN, oferece gratuitamente toda segunda-feira. Interaja, invista em si mesmo.

O conhecimento é a chave que abre as portas, isso não é auto ajuda, isso é verdade, e todos os que entrevistei, mesmo com idades avançadas não param de se informar, de estudar, e estar presente onde a arte está.

Isso o que deixo aqui para todos.

Angélica Ribeiro Artista

CNPJ: 38.178.362/0001-40

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