• Angélica Ribeiro

Atualmente rupestres

O mistério em torno das primeiras manifestações artísticas é permanente. Supomos seus objetivos, porém não existe uma certeza a respeito deles. Gravuras e pinturas em cavernas produzidas com pigmentos advindos de minerais, gordura e sangue representando animais, humanos e abstratos; objetos portáteis decorados e estatuetas esculpidas em pedra; e, geoglifos feitos em grandes extensões terrestres. Estes são os primeiros registros geograficamente espalhados pelo mundo feitos pelo ser humano.

A expressão artística é uma necessidade própria de sermos humanos, prova disso é que desde os primórdios de nossa existência buscamos fazer isso. O imaginário é emergente em nós.

Hoje temos inúmeras possibilidades artísticas: diversos materiais e mídias, avanços tecnológicos, espaços de exibição e variadas linguagens, entre elas o audiovisual e, por isso, acreditamos que a imagem em movimento é própria do nosso tempo. Entretanto, de acordo com Arlindo Machado, os homens pré-históricos criavam nas cavernas mais do que imagens estáticas, eles criavam sequências de movimentos, verdadeiras “sessões de cinema” rupestres.

Em seu livro Pré-cinemas & Pós-cinemas, Arlindo Machado explica que em cavernas, como Altamira e Lascaux, existem gravuras feitas em rochas e com seus sulcos pintados, as quais, conforme iluminadas por feixes de luz permitem que o observador as contemplem numa sequência que ilumina e obscurece partes da imagem a partir do caminhar do humano que segura a fonte de luz, ou seja, a partir do movimento.

Hoje, como resultado de todo desenvolvimento alcançado pela humanidade, de nossas habilidades treinadas e adquiridas e de nossos anseios imaginários, temos o cinema e todos os outros meios audiovisuais. Para melhor entendermos as mensagens destes, escurecemos ambientes, projetamos suas imagens ou ativamos telas digitais, e assistimos às suas imagens em movimento. Ou seja, construímos cavernas de novas tecnologias que cumprem um anseio existente desde os homens das cavernas.




Referência:

MACHADO, Arlindo. Pré-cinemas & pós cinemas. Campinas, SP: Papirus, 1997. (Coleção Campo Imagético)