• Angélica Ribeiro

Galeria de arte: a visão de Guilherme Zawa

O artista, galerista e psicanalista Guilherme Zawa concede entrevista para o blog Angélica Ribeiro, apresentando suas percepções sobre galerias de arte, tratando de suas definições e escolhas artístico-culturais. Zawa atua como artista lens based constituindo um portfólio com obras reflexivas e inspiradoras e, na Airez Galeria de Artistas Independentes, orienta projetos autorais e se posiciona como agitador do cenário cultural paranaense.



Retrato de Guilherme Zawa (imagem do arquivo pessoal do galerista)

(Angélica Ribeiro) Olá Zawa, você poderia se apresentar aos leitores do blog Angélica Ribeiro falando sobre seu trabalho como galerista, resumindo sua formação e seu histórico no mundo da arte?

(Guilherme Zawa) Meu nome é Guilherme Zawa e eu sou um artista visual que acabou abrindo uma galeria. Depois de passagens em exposições no Rio de Janeiro, Lisboa, Buenos Aires e Curitiba percebi uma possibilidade de apresentação de novos artistas para compradores distintos. Seria uma maneira de não vender apenas meu trabalho, mas de vender também outros artistas. É claro que isso não veio do nada. Eu sou produtor cultural e curador atuando em Curitiba desde 2010, o que me deu uma bagagem para saber o que acontece de bom e identificar movimentos pertinentes na arte. Ajuda também o fato de que sou especializado em gestão de projetos.

(Angélica Ribeiro) Como você define o que é uma galeria de arte?

(Guilherme Zawa) Como artista e curador de arte processual posso afirmar que uma galeria de arte não é nada. E isto é exatamente o que ela tem de melhor: nada! Ela é um cubo branco vazio e uma das principais qualidade é estar vazia. Vazia e aberta para coisas acontecerem dentro dela. Aberta para coisas que nem mesmo o galerista entende o que é, mas tem uma certa intuição de que ali tem muita coisa boa rolando.

(Angélica Ribeiro) De que maneira uma galeria contribui para a cultura de modo geral? E como você percebe a importância desses espaços artísticos para a sociedade?

(Guilherme Zawa) Desde que uma galeria não seja apenas uma loja, uma galeria é um momento de apresentação singular do artista. Já que, ao contrário da abertura maior e mais experimental capaz de acontecer em um museu, uma galeria tem um caráter de venda que empresta ao artista (quase obriga, digamos) a estabelecer critérios estéticos para que a obra se torne no final um produto vendável. Claro que há galerias como a AIREZ, que faz muita coisa só pela experimentação, mas este é um tipo especial de galeria.

(Angélica Ribeiro) Como um galerista define o perfil de sua galeria e escolhe os artistas apresentados em seu espaço?

(Guilherme Zawa) No caso de galeristas artistas, como eu, o critério acaba invariavelmente passando pelas inclinações pessoais e pesquisa autoral. É fácil reconhecer o que é bom quando você também faz parte "do lado de lá" .

(Angélica Ribeiro) Quais possibilidades você encontra para desmistificar os espaços artísticos e torná-los mais acessíveis a pessoas que não integram o meio artístico em si?

(Guilherme Zawa) Eventos são a melhor forma para isso. Eventos levam as pessoas para dentro da galeria. Elas vão meio desconfiadas, meio ressabiadas. Mas acabam vendo uma fala, palestra, festa ou coquetel, e percebem que ali não é o átrio dos deuses, proibido para meros mortais. Na verdade um negócio como uma galeria de arte mata o(a) atendente de tédio o Brasil. Ninguém entra. Ninguém vai. Por isso a importância dos eventos. A AIREZ faz mensalmente falas e oficinas em seu espaço, além de lançamentos de catálogos e performances. Tudo para comunicar como o público que talvez não iria por si só.

Angélica Ribeiro Artista

CNPJ: 38.178.362/0001-40

Rua Buenos Aires, 71 - Batel, Curitiba/PR

CEP 80.250-070

Uma galeria online de artes visuais da artista plástica Angélica Ribeiro.

Assine e valorize a arte!