• Angélica Ribeiro

O Egito, a música pop e o poder



Um dos trechos da história da arte que sempre tive dificuldades em relacionar com a contemporaneidade era sobre o Egito antigo. Parecia-me algo muito preso à uma civilização tão distante da nossa que eu não conseguia relacionar com nossos tempos. Entretanto, durante o estágio no qual lecionei para alunos do ensino médio, recebi um grande desafio: ensinar sobre a arte egípcia cumprindo as Diretrizes Curriculares do Estado do Paraná, as quais evidenciam que no ensino médio conteúdos como este - ou seja, que já haviam sido trabalhados no ensino fundamental - devem ser aprofundados, e mais, devem relacionar-se com a experiência cultural dos alunos.

Pesquisando para tal aula, encontrei o clipe da música Dark Horse da cantora pop estadunidense Katy Perry. A letra da música fala do relacionamento de casal sob o ponto de vista de uma mulher e o clipe, utilizando-se das características da arte do antigo Egito, apresenta o desejo de valorização e poder que ela possui. Com o clipe, entendi que, para além de técnicas rigorosas de produção que perduraram por milhares de anos com pouquíssimas alterações e uma religião bastante diferente das que mais conhecemos hoje, a arte egípcia carrega consigo fortes símbolos de poder.

No clipe Dark Horse, a personagem é destacada diante do sol, fazendo uso da lei da frontalidade e acompanhada por gatos da simbologia egípcia, trazendo com isso a representação de uma divindade protetora das mulheres. Ela também entrelaça-se numa escultura monumental e é vista centralizada ganhando destaque em sua posição social. A personagem encanta-se com a pirâmide que recebe de presente, e isto faz todo sentido no contexto da música, pois as pirâmides eram construídas por faraós representando a soberania e superioridade dos mesmos. Portanto, receber a pirâmide como presente simboliza empoderamento, a realização do desejo de valorização e a dominância sobre uma região.

Por fim, utilizei-me do clipe e dos conteúdos a respeito de arte egípcia, para levar os alunos a refletirem sobre nosso país e, mais especificamente, sobre o bairro onde moram. Procurei, junto à eles, pensar quais poderes regem nossos locais e como estes poderes são expressos de forma visual. Na busca por levar a eles esse conhecimento, aprendi mais sobre a relevância desta parte da história da arte para o nosso contexto.