• Angélica Ribeiro

O tempo na imagem fotográfica

Uma fotografia geralmente é realizada num único instante, porém todo instante por pequeno que seja, pode ainda dividir-se em intervalos menores. Sendo assim, mesmo na mais comum das fotografias, não obtemos o congelamento completo do tempo. Entretanto existem fotografias o objetivo é tornar clara essa inscrição temporal. Tais fotografias são chamadas anamorfoses cronotópicas.

A anamorfose consiste em modificar o ponto pelo qual observamos uma imagem, porém isso não extingue as suas características primárias, apenas as distorce, alterando modelos clássicos de representação figurativa através de ilusões óticas. Um dos tipos de anamorfose é a cronotópica, assim chamada por Arlindo Machado em seu livro Pré-cinemas & Pós-cinemas pelo fato de materializar o tempo registrando-o como distorção de uma imagem gerando efeitos visuais de superposição ou registrando percursos realizados por corpos no espaço.

“Os efeitos de anamorfose que corroem a integridade de tais criaturas são o resultado de um movimento muito rápido dos corpos, associado a uma exposição lenta e a um obturador de plano focal.” (MACHADO, 1997, p. 63). Desse modo, evidencia-se um percurso, a evolução temporal de algo que é registrado. Também é possível realizar esse tipo de anamorfose registrando objetos parados e movimentando a câmera, assim acumulam-se na imagem o processo pelo qual ocorrem diversos ângulos de observação do objeto.

Enfim, pela cronofotografia é possível que haja a continuidade dos movimentos, mesmo que não haja o movimento característico da imagem cinematográfica. Existe um tempo decorrido, ainda que guardado numa única imagem fotográfica.




Referência: MACHADO, Arlindo. Pré-cinemas & Pós-cinemas. Campinas, SP: Papirus, 1997. (Coleção Campo Imagético).