• Angélica Ribeiro

Técnica: essa tal arte contemporânea

Um verbete de dicionário define arte como “1. Conjunto de normas para realizar alguma coisa; 2. habilidade para executar essas normas” (AMORA, 2008, p. 60). Sob essa perspectiva, arte é técnica: carrega consigo a origem do latim ars, correspondente a palavra grega techné (técnica), parte do conceito de que arte é ação e fabricação de algo e entende que artista é aquele profissional que executa bem a aplicação de suas habilidades na produção de algo.

Na história percebe-se em diversos contextos a valorização da técnica artística, por exemplo: no antigo Egito, haviam proporções e condições exatas de representação visual que determinavam cores, tamanhos e formas para o trabalho artístico; na alta Renascença chegou-se no auge da busca pela imagem naturalista fomentada por pesquisas de anatomia e observações de perspectivas e cores ambiente; no movimento Impressionista os artistas produziam obras de observação procurando aplicar com tinta efeitos de luz ambiente utilizando-se de agilidade, destreza e aplicações práticas de teoria da cor.

Na atualidade, existem inúmeras possibilidades de aplicação técnica: cada artista é livre para trabalhar com os materiais que desejar, do pincel ao mouse, e até misturar o tradicional com as novas tecnologias. O processo criativo contextualiza a aplicação técnica, a qual se dá a partir da proposta conceitual do artista, a partir de sua pesquisa na história da arte e dos seus engajamentos pessoais, além de sua relação com seus materiais. Hoje, não é a tinta ou o mármore que definem a obra de arte, ela pode ser feita no pacote de pão ou na pedra preciosa, com o uso de softwares ou com a expressividade corporal, apresentada em moldura ou em projeção de arquivo digital.

A arte hoje não nega as técnicas do passado, ela agrega novas possibilidades. Portanto, a técnica na arte contemporânea é inovadora, sua aplicação final é apenas resultado de um processo criativo único e pessoal o qual pode envolver diversas linguagens artísticas. Além do mais, a arte contemporânea é filha das revoluções tecnológica e de informação, ou seja, carrega em si materiais e conceitos e anseia a comunicação. Nela, tudo comunica, inclusive as escolhas de materiais e o uso dos mesmos.




Referência:

AMORA, Antônio Soares. Minidicionário Soares Amora da língua portuguesa. 18ª edição. São Paulo: Saraiva, 2008.